domingo, 15 de julho de 2018

Um corredor

Um corredor

E num corredor, sentado por horas, mal sinto o tempo passar...
Quatro horas e meia na verdade é o que dura cada estada minha aqui, cumprindo minha escala naquilo que é um misto de trabalho com passatempo.
Um minuto pode durar um átimo ou uma eternidade, a depender de que lado da porta do banheiro estais...e aqui as tais quatro horas e meia passam rápido.
Nunca tentei estimar a quantidade de pessoas que por aqui passam nesse tempo, talvez um dia eu tente, sei lá como, mas posso dizer que é muita gente.
E há de tudo, ainda que tudo nada signifique, há aqui um tudo definível, observável, feio e maravilhoso ao mesmo tempo.
Observo a energia contagiante e beleza  que irradia dos jovens, com suas conversas em alto volume, maneiras exageradas e risadas abundantes.
Também vejo os passos cansados, pesados e às vezes com certo ar de tristeza dos velhos, ar que engana pois se os olha nos olhos vês que a vida ali ainda pulsa forte, apenas é mascarada pelos anos que a pele cansada já não consegue mais esconder...
Os adultos são peculiares, normalmente andam com passos firmes, caras fechadas e o ar de quem tem aquela certeza incerta de que sempre há algo por fazer, por ganhar, por conquistar, algo para se preocupar, e se não houver, inventa-se.
Falta pouco para meu turno acabar, um senhor para e começa a conversar comigo.
Velho...
Convido-o a sentar-se e o deixo falar, incentivo-o comprando seu assunto e sinto a vida em si, ele mora na Austrália e tem orgulho disso. Nasceu em Portugal, mas naturalizou-se australiano.
Em algum momento, despede-se e vai...
Meu turno chega ao fim, a colega que me substituirá chega, falamos um pouco e vou.
No corredor, crianças, adultos, velhos...vida.

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