segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Você tem problemas?

Quem não tem problemas?
Eu acredito não existir uma pessoa que não os tem.
Grandes, pequenos, complexos, simples, há problemas de todos os tipos, tamanhos, feições e complexidades, mas com uma característica comum: todos tem solução! 
Pois se não tiver uma solução, então você não tem um problema, como diz o adágio: aquilo que não tem solução, solucionado está.
Lembra dos livros de autoajuda? Se você já leu algum certamente tem problemas e acreditou na promessa do livro em tem ajudar! Vou mais além, deu um passo importante, reconhece que precisa de ajuda! A leitura te ajudou? Se você leu apenas um ajudou...mas se leu o segundo, terceiro...
Esses livros são excelentes fontes de motivação e fornecem ferramentas importantes, mas depende de VOCÊ querer usá-las.
Autoajuda é algo que vem de dentro de você, uma força, uma motivação interna, mas exige ASSUMIR RESPONSABILIDADES, TOMAR ATITUDES e SE COLOCAR NO CENTRO DE SUA VIDA!
Ok...mas e aí?
Bem, aprendi e uso em minha vida que o detalhe a diferenciar as pessoas em relação aos seus problemas é a forma de se relacionar com eles, você pode transformar o seu problema em um monstro pronto a te devorar, ou dar a ele o tamanho e a importância que merece, sem subestima-lo, é claro!
Não quero dizer, de maneira nenhuma, que seu problema não é grave, é pequeno, simples, ou coisas do tipo, não! De jeito nenhum! Quero dizer é para você ser senhor dos seus problemas e não o contrário.
Ahhh...mas eu tenho centenas de problemas!
Que ótimo!!!! Ter centenas de problemas significa ter, no mínimo, centenas de soluções!!! Digo no mínimo pois temos que considerar a possibilidade de um problema ter mais de uma solução possível...
Também não estou a dizer que todas as soluções são simples. Não mesmo! H.L. Menken, jornalista americano no início do século XX, dizia:
“Para cada problema complexo existe uma solução simples, elegante e completamente errada.” Não caia nesta armadilha.
Outra característica que posso afirmar com certeza sobre seus problemas é que todos tem um elemento em comum.
Sim, todos tem, não importa qual a natureza deles, há um elemento em comum e determinante no trato de cada um deles.
Quando você conhecer e dominar esse elemento comum, verá tornar-se muito mais fácil mensurar e solucionar cada problema e a partir daí traçar a estratégia para buscar as soluções.
Esta é outra coisa que aprendi, identificar cada problema e trabalhar cada um individualmente ajuda muito. Mas qual resolver primeiro? Ah...essa priorização é totalmente sua! Posso dizer que tentar resolver todos ao mesmo tempo vai te levar à exaustão, frustração e provavelmente vai te deixar doente, ou seja, arrumar mais um problema...
Já identificou o elemento comum a todos os seus problemas? 
Não? Vou te ajudar:
VOCÊ!

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Álora.

Estou cansado...depois de um dia inteiro a dirigir e a passear com meu filho, fomos a Ronda e depois a Málaga, e então fomos até o hotel onde passaremos a noite.
Chamo-o para dar uma volta, conhecer os arredores, mas ele também está cansado, havia trabalhado a noite toda e quis ficar no quarto e descansar.
Saio a caminhar pela única avenida da pequena cidade de Álora e me vejo sentando à mesa em um movimentado bar...um dos raríssimos estabelecimentos abertos e, acreditem ou não, estava bem movimentado.
O garçom demora um pouco a aparecer e como estou sem pressa, passo então a fazer aquilo que mais gosto: observar.
De repente sinto com o se o tempo parasse...uma sensação estranha e boa ao mesmo tempo, um tipo de transe.
Há apenas quatro pessoas estranhas naquele lugar, eu e noutra mesa próxima três mulheres a falar inglês, como eu estrangeiras ali...o garçom vem, gordo de rosto rendono, um tanto cansado e me pergunta o que desejo, com meu espanhol horrível peço uma cerveja e o cardápio, ele anota e sai, logo volta com o copo e começo sem pressa pensar o que iria comer...
Peço uma porção de fritas com aioli e lulas e volto a observar...
Nas mesas algumas famílias e casais, todos se conhecem, conversam entre si em voz alta, dando risada e fazendo piadas com os amigos das outras mesas...do outro lado da rua uma praça bem arborizada, bancos e brinquedos para os pequenos que também estão lá, comem com seus pais e atravessam a tal avenida a rir e brincar sob os gritos de atenção com os poucos carros que por ali passam.
Não sei se a mistura de cerveja com cansaço fez tal efeito mas me senti em outro lugar...não! Em outro tempo...
Aquelas mesmas pessoas estavam ali há 500 anos, naquele mesmo bar, taverna, tasca ou seja lá que nome tinha, mas estavam lá...e eu também.
Conversavam, riam, gritavam e brincavam entre sim, bebendo cerveja e comendo, enquanto observavam seus filhos a brincar no terreno ali ao lado.
Vejo seus rostos, rio com seus sorrisos, ouço suas vozes mas nem imagino o que falam...como hoje há quinhentos anos meu espanhol também era ruim.
Sinto-me bem, feliz, contagiado com a alegria cansada daquelas pessoas que trabalharam o dia todo e em plena segunda-feira lá estavam para beber e conversar...o mesmo lugar onde estarão daqui a quinhentos anos...junto comigo.
Como devagar, aproveitando a deliciosa refeição que me fora servida...sem que eu perceba minha cerveja termina e o garçom de rosto redondo oferece-me mais uma que rapidamente e com prazer aceito...quero voltar a meus devaneios.
Acendo meu charuto e o fumo com calma...mais calma que o normal...peço um café.
As pessoas dali, homens, mulheres, crianças, ainda estão a conversar e beber e rir, termino meu café e peço a conta que pago também sem pressa.
Ao pagar digo ao garçom que a comida estava deliciosa e agradeço a hospitalidade, meio assustado ele abre um sorriso no rosto redondo e agradece pelos elogios, apesar da cara fechada é um bom homem...cansado.
Pergunto se posso terminar meu charuto e ainda a sorrir ele me diz para ficar o quanto desejar...assim faço.
Termino meu charuto e meio que acordo do meu transe...volto para o momento atual e levanto, o tempo não parou, fiquei quase duas horas ali.
As pessoas ainda conversavam, riam e gritavam com seus miúdos, levanto e vou-me...
Elas ficarão...e ali estarão por mais quinhentos anos.