Minha turma da academia militar se acostumou a usar o email como forma de comunicação, trocar idéias, brincadeiras, etc... e confesso que algumas discussões são realmente interessantes.
Uma delas começou quando um amigo colocou a seguinte pergunta: você gostaria que seu filho entrasse na academia, em outras palavras, que seguisse sua carreira?
As mais variadas respostas apareceram, alguns veementemente afirmando que jamais permitiriam, outros que respeitariam a vontade dos filhos, outros que incentivavam, enfim, as mais variadas opiniões.
Eu participei dessa discussão mas minha forma de pensar tomou um rumo diferente do enfoque.
Qual o exemplo que você está dando para o seu filho? Não, não faço apologia ao perfeccionismo patife, daquele que se esforça para esconder seus erros e suas fraquezas e mostra a seus filhos quase um super-homem, nah... não é esse exemplo, se bem que também é valido, eu falo do respeito ao seu trabalho seja ele qual for. E para demonstrar esse respeito você não precisa ser perfeito, aliás, sem imperfeito faz parte.
Eu conheci alguns exemplos quando era moleque, não vou citar o que tive em casa, pois meu pai era do tipo que respeitava seu trabalho, o fazia com amor e o pouco tempo que convivemos como adultos (pois ele desencarnou muito cedo pelos nossos conceitos) eu vi que ele tinha problemas sim, não era um HOMEM, nem um homem, mas um Homem.
Mas não é dele que quero falar, eu me lembro de estar na casa de um amigo, cujo pai era representante comercial, Sr José, eu tinha um respeito muito grande por aquele homem que carinhosamente na época chamava de “tio”. Como representante comercial naturalmente tinha altos e baixos financeiros, mas ele amava o que fazia, portanto acabava tendo mais altos que baixos, a família deste amigo vivia bem e seu patriarca ensinava aos filhos que era importante respeitar seu trabalho, fosse qual fosse, e é claro, eu aprendia também.
Na casa de outro amigo a coisa era um pouco diferente, o “tio” era do tipo perfeito, o melhor em seu trabalho, nada que fazia era errado, mas, eu nunca até hoje vi uma pessoa reclamar tanto do trabalho quanto aquele homem. Inúmeras vezes, eu me lembro bem, ouvi-o dizer que a empresa não o tratava como merecia, que ele dava muito lucro para os patrões mas que estes não o davam o devido reconhecimento. Ao contrário do outro “tio” este não tinha altos e baixos, como era funcionário de uma grande empresa, não dependia de comissões, tinha um salário de executivo que, embora não me lembre de valores pois faz muito tempo, eu tenho certeza que era um salário muito bom. E com este “tio” eu aprendi também, claro que não de forma consciente, mas de alguma forma eu me convenci que não queria aquilo para mim.
Hoje tento passar para os meus filhos um pouco do que aprendi, com meu saudoso pai, com os “tios” certos, ou seja, seja qual for a profissão que escolher, seja qual for a forma: por vocação ou por conveniência, ame o que faz, se não amar o que faz, faça o que fizer com amor, embora parecidos são conceitos diferentes. Não olhe para a carteira dos outros, trabalhe para manter a sua cheia, você perderá um tempo precioso olhando o conteúdo da carteira do seu vizinho, enquanto ele estará trabalhando para mantê-la cheia.
Eu acredito meus amigos, que assim você estará ajudando seu filho a se decidir, e se ele decidir seguir a sua carreira, ajude-o, mas ajude-o a ter a carreira DELE, não uma clonagem da sua, se ele teve bons exemplos em casa (lembre-se você não é o super-homem) ele será feliz, seja lá o que escolher para si.
Abraços
Regulle
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